quinta-feira

Os Banhos da Poça em São João do Estoril




Pouco tempo depois da realeza e da alta aristocracia se instalarem nas zonas nobres de Cascais e do Monte Estoril, a burguesia procurou um local para os seus tempos de veraneio. Entre a Poça e a Cadaveira, junto a um grupo de modestas habitações, nasceu com pompa e circunstância a povoação de São João do Estoril O edifício dos Banhos da Poça, ainda hoje existente, é o ex-libris principal daquele que foi o primeiro passo para a construção da Costa do Sol.

Quando Luís Filipe da Matta e Carlos Tavares, em 1890, constituíram uma sociedade para explorar os recursos hídricos da zona da Poça, onde era possível encontrar águas com propriedades medicinais notáveis, que curavam as doenças de pele e o reumatismo, mal imaginavam o contributo que estavam a dar para a constituição daquilo que hoje é commumente designada como a Vocação Turística do Concelho de Cascais.

De facto, e apesar desta iniciativa ter surgido como uma espécie de resposta burguesa à aristocrática Companhia Monte Estoril, que algum tempo antes dera início à urbanização do antigo Pinhal da Andreza (hoje a localidade do Monte Estoril), o núcleo habitacional que envolvia os Banhos da Poça já existia há algum tempo. No entanto, pela condição social e política dos seus habitantes, e também pelo carácter pouco ostentatório das suas casas, era considerado espaço de importância inferior no contexto da vivência social portuguesa do final do Século XIX.

Muito embora as águas da Poça fossem conhecidas desde há muito, existindo notícia do seu aproveitamento formal desde meados do Século XVIII, quando ali se construiu um modesto balneário, somente com Luís Filipe da Matta e o seu sócio se procedeu ao seu correcto aproveitamento. No início da última década do Século, edificou-se no local do antigo balneário um moderno edifício torreado e com ameias, ao jeito do carácter romântico que caracterizava a arquitectura de então. Interiormente, possuía grande qualidade terapêutica e condições logísticas que o colocavam entre os melhores do Mundo inteiro. Os quartos de banho com tinas de mármore, onde os doentes desenvolviam a terapêutica prescrita pelo Dr. Carlos Tavares – discípulo do famoso médico Sousa Martins – levavam longe a fama da qualidade daquele espaço, que possuía ainda um majestoso salão com 200 m2, um amplo estrado com um piano e uma mesa de bilhar e dois terraços com magnífica vista sobre a Baía de Cascais. De acordo com notícias da época, são milhares os visitantes que anualmente procuram a localidade de São João do Estoril.

Foi precisamente com a criação dos Banhos da Poça, empreendimento digno de uma nota especial pelo cuidado que os seus promotores colocaram na sua idealização, na sua concepção e na sua promoção, chegando a editar opúsculos de grande qualidade onde se publicitavam as virtudes das águas que utilizavam, que a povoação envolvente começou a crescer.

No dia 22 de Junho de 1890, como relatam Branca Colaço e Maria Archer nas suas “Memórias da Linha de Cascais”, o Presidente da Câmara Municipal de Cascais – Jaime Artur da Costa Pinto – inaugura formalmente a povoação. Para celebrar o acontecimento, realizou-se no Chalet Brito uma grandiosa festa, que reuniu a grande maioria dos habitantes da recém criada São João do Estoril. De acordo com Raquel Henriques da Silva, que teve acesso a fotografias do evento, o acto decorreu com carácter solene, tendo mesmo pavilhão real para acolher o Rei Dom Carlos e a sua esposa a Rainha Dona Amélia.

Pouco tempo depois, a viúva de António Marques Leal dá início à construção “por sua conta”, da estrada de ligação do apeadeiro de São João à zona da Cadaveira, dando ensejo à criação daquele que depressa se tornará o mais importante núcleo construído da moderna localidade.

Para a já mencionada investigadora Raquel Henriques da Silva, São João fica a dever o seu crescimento à abnegada intervenção de um grupo de endinheirados beneméritos que ali se instalou. A suas expensas, e procurando ultrapassar as dificuldades logísticas e financeiras do município cascalense, homens como Luís Gonzaga Reis Torgal, Manuel José Martins Contreiras, Watts Garland e Alfredo Júlio Brito, foram urbanizando e embelezando a localidade, a eles se ficando a dever grande parte dos modernos arruamentos de São João, bem como a colocação do mobiliário urbano que transformou a face da povoação.

Sem controle oficial das entidades competentes, e crescendo ao ritmo dos gostos pessoais dos seus ilustres proprietários, São João do Estoril vai conhecer assim uma enorme diversidade de estilos e uma originalidade construtiva que dificilmente encontra paralelo no território português, transformando aquele espaço num centro urbano interessante e completo.

Apesar de os Banhos da Poça terem sido abandonados pouco tempo depois, passando mais tarde à posse da Santa Casa da Misericórdia de Cascais, a quem continuam a pertencer, foram eles que despertaram a atenção dos munícipes daquela época, transformando-se numa espécie de cadinho que contribuiu para o florescimento do turismo português.

Muito embora sejam hoje pouco conhecidos dos cascalenses, e quase totalmente desconhecidos dos muitos turistas que permanentemente nos visitam, os Banhos da Poça são indubitavelmente uma das mais valiosas peças do património arquitectónico cascalense.

quarta-feira

O Veraneio em Cascais




Um clima e uma paisagem caracterizados por uma qualidade incomparável, aos quais se vem aliar um posicionamento estratégico sem igual no contexto Nacional, marcado pela proximidade face a Lisboa, e pela existência de excelentes condições de utilização dos seus vastos areais, fazem do actual Concelho de Cascais um espaço desde sempre atractivo para a ocupação humana.

A partir de finais do século XIX, sobretudo como consequência da intervenção urbana extremamente activa do Visconde da Luz, todas estas condicionantes evoluem recriando um espaço verdadeiramente apto a receber os novos visitantes. A construção da Estrada Marginal, que estabelece uma rápida e eficaz ligação a Oeiras e a construção do Caminho de Ferro até Pedrouços, criam novas acessibilidades que aproximam ainda mais Cascais da Capital.

A aristocracia de Lisboa, habituada a um ambiente seleccionado e a uma qualidade de vida a que se alia sempre o período de veraneio numa das longínquas praias da zona de Belém à Cruz Quebrada, passa a encontrar nesse locais , em consequências das transformações referidas, um número cada vez maior de lisboetas.

Cascais, e algum tempo depois os estoris, tornam-se assim o destino privilegiado da elite social dessa época. Suficientemente próximas de Lisboa para se tornarem acessíveis nos curtos espaços de tempo livre, e suficientemente distantes para garantirem a paz que o bulício da capital já não permitia, a Costa do Estoril assume-se definitivamente como a mais cosmopolita das terras de Portugal, para ali afluindo todos aqueles que valorizavam as suas características naturais e sociais.

Em 1870, quando o próprio Monarca D. Luís I, se instala na Cidadela de Cascais, é traçado em definitivo o destino turístico da localidade, facto que se consubstancia na introdução de uma série de inovações que fazem deste lugar um dos mais prósperos da época. A par da iluminação pública eléctrica , da rede de telefones, da electrificação do comboio, Cascais assiste à construção de um parque patrimonial sem igual.

As novas habitações, ostentando de uma forma marcante as origens sociais dos seus proprietários, vão tornar-se símbolos de uma nova sociedade, na qual a modernidade, o desenvolvimento e o progresso se assumem como elementos fundamentais. As características tipológicas das habitações desta época, inseridas num movimento de renovação da arquitectura europeia que altera radicalmente a paisagem das localidades portuguesas, recriam um ambiente em que a ostentação é demonstrativa de um novo estatuto.

Conhecer o Cascais de veraneio, no seio de uma amálgama de estilos que suportam uma sociedade muito própria, é reconhecer em cada um deste imóveis os traços marcantes de uma da memória daqueles que os projectaram e construíram o Portugal em que hoje vivemos.

O Veraneio Idílico em Paço d'Arcos




Depois de setecentos anos de História, Portugal percebeu que muito embora pareça separar, o destino do mar é reunir as pessoas. Com uma costa extraordinária pela extensão e pela beleza, somente a partir do Século XIX é que os portugueses se decidiram a aproveitar as potencialidades do seu Oceano. Paço d’Arcos, com a sua praia ilustre e as suas casas bonitas, foi das primeiras localidades portuguesas a transformar-se num moderno centro de veraneio.

Muito embora seja anterior a 1698, conforme se comprova pela inscrição existente no seu interior, a Igreja do Senhor Jesus dos Navegantes, em Paço d’Arcos, foi totalmente reedificada em 1877. Apesar do seu ar austero, e de um carácter eminentemente piscatório, foi o primeiro sinal visível da enorme e perene ligação que a localidade manteria em permanência com o mar.

Nos dias de temporal, quando as correntes e as ondas do mar se uniam para impedir o trabalho dos marinheiros, era na Igreja do Senhor Jesus dos Navegantes que todos se reuniam, rezando em uníssono pela melhoria das condições. Paço d’Arcos, nessa altura um mero lugar quase incógnito do Termo de Oeiras, estava marcado pelos arcos bem desenhados do seu palácio, rendendo-se inteiramente ao que de bom e de mau lhe traziam as ondas do Oceano.

A partir do Século XIX, quando as grandes cidades se vão transformando em espaços pesados com os resquícios das primeiras actividades industriais, o mar, o sol e a praia ganham outro valor, depressa se assumindo como a fuga possível às muitas epidemias e doenças que começavam a aparecer.

De acordo com Ana Gaspar, o alastramento da ideia de praia está directamente relacionada com os avanços na higiene pública, uma vez que a postura médica a define como método de profilaxia e tratamento de inúmeras doenças. A tuberculose, principal enfermidade desse tempo, mata cada vez mais doentes, transformando-se numa enorme praga que constrange a vida quotidiana e transforma mentalidades.

É precisamente nesta época e clima que Paço d’Arcos floresce, juntando ao seu velho palácio e à ancestral igreja, toda uma panóplia de novas construções que vão transformando por completo a face da vila. A inauguração do Caminho de Ferro entre Pedrouços e Cascais, em 1889, veio democratizar o acesso à água e ao mar, facto que ajudou a alterar ainda mais os hábitos requintados da velha aristocracia lisboeta.

Habituados a utilizar as praias semi-desertas dos subúrbios mais próximos da Capital, como Belém, Pedrouços ou Algés, os aristocratas lisboetas viram-se invadidos por inúmeros veraneantes de condições social diferente da sua que, com a modernização dos transportes, viam facilitado o acesso àqueles locais. Para todos os que não possuíam condições económicas para alugar casa junto à praia, os novos transportes representavam a possibilidade de passar alguns dias a banhos.

Procurando fugir do contacto pernicioso dos novos turistas, a aristocracia vai-se afastando de Lisboa, assumindo-se Paço d’Arcos como local privilegiado de veraneio. Pouco desenvolvida em termos estruturais, e por isso detentor da possibilidade de edificação de inúmeras habitações construídas de acordo com os mais modernistas valores da época, a localidade estava ainda bastante próxima da capital para permitir contactos rápidos em caso de necessidade, e suficientemente distante para resguardar o contacto social indesejado.

É nesta época distante que surgem em paço d’Arcos inúmeros chalets ao gosto suíço, bem como uma actividade comercial invejável, que satisfazia todos os desejos dos veraneantes. A publicidade, agora entendida como principal factor incentivador do usufruto destes espaços, é pródiga em anúncios que garantiam higiene, segurança e limpeza.

Unindo o útil ao agradável, as ilustradas senhoras de Lisboa encontravam em Paço d’Arcos as melhores profilaxias para os seus males, e uma sociedade ilustre e requintada que durante a noite se perdia por entre as inúmeras festas e espectáculos que por ali se realizavam. Ramalho Ortigão, nas suas “Praia de Portugal”, afirma ser Paço d’Arcos a praia aristocrática dos subúrbios de Lisboa: “... as caleches, os criados, as librés dos senhores ministros, as saute-en-barque de flanela e os chapéus canotier dos jovens senhores adidos de embaixada espargem nos passeios um aspecto de côrte, que os olhos admitidos aos grandes esplendores agradecem, bem como um perfume de moda que aceitam reconhecidos os narizes haut-placés”.

Para este clima festivo e aristocrático contribuía também a permanência em veraneio de El-Rei Dom Fernando e da sua esposa Condessa d’Edla, normalmente instalados no Palácio Bessone, junto ao rio. Esplendoroso, fino e delicado, são apenas alguns dos adjectivos utilizadas por Branca Gontha Colaço e Maria Archer quando descrevem o grandioso baile de despedida do ilustre Soberano numa das suas estadias em Paço d’Arcos.

Muito embora tenha perdido, em prol de Cascais e dos estoris, o esplendor de outros tempos, Paço d’Arcos continua a ser “a antiga praia das supremas elegâncias”.

O Paço dos Arcos: Mais de Meio Milénio de História





Com mais de quinhentos anos de uma História repleta de percalços, o Palácio dos Arcos, na Vila a que deu nome, é hoje um dos mais importantes bastiões do património oeirense. Embora muito alterado, devido a vicissitudes variadas que o afectaram, mantêm incólume a solenidade que lhe foi conferida pelos anos.

Embora muito afectado na sua volumetria original, uma vez que a construção do burgo de Paço de Arcos, da via férrea e da Estrada Marginal, lhe amputaram importantes parcelas de terreno, o Palácio dos Arcos mantêm viva a memória da vasta quinta que originalmente o envolvia.

De acordo com Rogério de Oliveira Gonçalves, a Quinta de Paço de Arcos terá sido uma das mais frondosas e magnificentes da zona ribeirinha de Lisboa, nela tendo caçado ou veraneado vasto número de governantes e figuras ilustres da aristocracia lisboeta.

Pertencendo no Século XV a D. Antão Martins Homem, 2º Capitão da Vila da Praia, nesta quinta esteve por diversas vezes em caçadas o Rei Dom Afonso V, antes da construção do actual palácio. Em 1490, no entanto, o edifício já estaria concluído, tal como se comprova documentalmente.

O carácter aristocrático desta propriedade é inquestionável. A família Homem, sua original proprietária, é a mesma que a dos Pereiras que, de acordo com Rogério Gonçalves, é antiquíssima, “procedendo dos reis Godos que floresceram com sucessão continuada, do ano 700 em diante”. D. Antão Martins Homem é, aliás, filho primogénito de D. Álvaro Martins Homem que, após ter misteriosamente desaparecido o primeiro Capitão madeirense, assume aquele importante cargo, sendo um dos principais responsáveis pela colonização do Arquipélago madeirense. No documento de doação, transcrito pelo já mencionado autor, D. Álvaro é integrado na “classe dos mais nobres e poderosos da Casa dos Infantes”.

Terá sido precisamente este carácter aristocrático que lhe assegurou um papel de destaque na vida política portuguesa. Entre 1490 e 1910, o Palácio dos Arcos foi reiteradamente visitado por diversos monarcas. Desde D. Manuel I, o Venturoso, que a tradição popular garante que foi dali que avistou o embarque das naus que seguiram para a Índia; passando pela sua filha D. Maria; por um dos Filipes; pela mulher de D. João V, D. Maria Ana da Áustria; e mais recentemente por D. Fernando II, o ideólogo da Sintra romântica; por D. Luís I e sua mulher D. Maria Pia de Sabóia; até D. Manuel II, que ali pernoitou em Setembro de 1910, pouco antes da implantação da república, para assistir a experiências militares; o Palácio dos Arcos foi sendo palco de inúmeros acontecimentos importantes na História de Portugal.

De acordo com os muitos estudos que se realizaram sobre o palácio, o seu aspecto actual não deverá ser muito diferente daquilo que tinha na época da sua construção. Apesar das muitas reconstruções que sofreu, e da terrível destruição promovida pelo terramoto de 1755, o Palácio dos Arcos mantém a solenidade que lhe é conferida por mais de meio milénio de História.

Sendo dignos de menção especial o tecto riquíssimo da sala principal, e o altar barroco feito de mármore italiano dedicado a Nossa Senhora do Rosário que os seus proprietários trouxeram do Convento das Marianas de Lisboa, extinto no Século XIX, o Palácio dos Arcos possui ainda uma original arcaria de suporte da varanda da fachada principal. De acordo com alguns estudiosos, este interessante pormenor, que aliás lhe confere o nome, é ainda originário do Século XV, surgindo amiúde nas representações que se conhecem do edifício.

Apesar do peso institucional que sempre possuiu, provavelmente por se situar suficientemente próxima de Lisboa para permitir um fácil acesso, e suficientemente afastada para garantir a privacidade que os soberanos tanto desejavam, a Quinta dos Arcos e o seu Palácio são mal conhecidos da generalidade dos oeirenses.
Só recentemente, após esforços empreendidos pelo edil local, o Palácio dos Arcos passou a ser propriedade da Câmara Municipal, preparando-se agora para assumir papel de destaque na vida cultural de Oeiras e do seu Concelho.

A Fortaleza de Nossa Senhora da Luz (Cascais)





Primeiro pedaço de terra a ser observado quando se chega de Lisboa por mar, e último quando se parte para viagens de descoberta, a Fortaleza de Cascais é assumidamente uma das mais importantes peças da guarda avançada da capital. Muito embora violada na sua memória histórica desde a construção da marina, que lhe retira por completo o sentido de existência, é hoje um espaço onde se mantêm viva uma parte importante da História de Cascais.

Perdida no seio de sucessivas intervenções, que construíram e reconstruíram as estruturas defensivas da Vila de Cascais, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz é apenas uma parte da totalidade dos edifícios existentes dentro do recinto hoje commumente designado como Cidadela.

Composta pela Fortaleza de Nossa Senhora da Luz; pelos restos da antiga torre que a precedeu; pela cidadela propriamente dita, construída no Século XVII por D. João IV; e pelo Palácio Real do final do Século XIX; o conjunto monumental formado por estes equipamentos é hoje um dos mais importantes bastiões do património edificado cascalense.

Apesar de os mais antigos livros sobre o desenvolvimento histórico da Vila e do Concelho de Cascais apontarem o reinado de Dom Manuel I, como marco cronológico para o início da construção da Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, possivelmente devido ao registo feito nesse sentido nas Memórias Paroquiais de 1758 pelo Pde. Marçal da Silveira, Pároco de Cascais, parece certo que as obras terão decorrido em período diferente, como aliás o atestam os trabalhos arqueológicos que ali se desenvolveram coordenados pela historiadora Margarida Magalhães Ramalho.

De facto, e tendo em conta as características estruturais do edifício, com os seus baluartes defensivos, tudo aponta para que a sua construção seja posterior àquela data. De acordo com aquela historiadora, somente no Século XVI é que se começaram a utilizar as novas técnicas construtivas visíveis na fortaleza de Cascais: “É por demais sabido que a invenção e a primeira utilização do traçado abaluartado é de responsabilidade italiana, estando esta Escola, na primeira metade do Século XVI, a dar os seus primeiros passos”.

Tendo sofrido diversas modificações, que alteraram significativamente o seu aspecto exterior, o edifício conseguiu, no entanto, manter sempre vivas as memórias dos tempos anteriores. Profundamente intervencionada no decorrer do período filipino, e posteriormente no reinado de D. João IV, que edificou todo o recinto amuralhado exterior, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz surge já representada iconograficamente na figura de Bráunio, de 1572, a mais antiga imagem conhecida da Vila de Cascais.

Em 1755, quando o terramoto destruiu grande parte dos edifícios da localidade, a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, e a Cidadela de Cascais conseguiram sobreviver ao cataclismo, mantendo de pé as mais importantes partes da sua estrutura exterior. As intervenções arqueológicas levadas a cabo no interior da fortaleza permitiram perceber que, apesar de a sua fisionomia ter sido alterada pela introdução de novas soluções arquitectónicas, nomeadamente as janelas que acabaram por se incluir nas paredes outrora cegas da torre medieval, o acidente de 1755 não foi suficiente para derrubar as grossas paredes dos edifícios existentes.

As inovações introduzidas, permitindo uma adaptação daquele espaço às novas exigências militares do Século XVIII, mantiveram a função dissuasória do edifício. Após a intervenção de 1645, durante o reinado de D. João IV, a capacidade do contingente da fortificação passou para cerca de 3000 homens, governados pelo Conde de Cantanhede, D. António Luiz de Menezes, o que comprova a importância estratégica que desde sempre caracterizou a Vila de Cascais.

Com a construção da moderna marina que, apesar da contestação promovida pela generalidade dos cascalenses, acabou por envolver todo o recinto amuralhado, a Cidadela de Cascais e a Fortaleza da Luz perderam os seus horizontes atlânticos, transformando-se numa memória oca dos destinos marítimos de outros tempos.
Defraudada, delapidada, e envelhecida, com o seu velho palácio Real, e com os constrangimentos paisagísticos que os políticos de hoje lhe impuseram, a Fortaleza de Cascais merece ser devolvida, de forma definitiva e irreversível aos cascalenses.

O Forte de São Julião da Barra (Oeiras)




Quando despontam os primeiros raios de sol, nas frias manhãs do início da Primavera, o Forte de São Julião da Barra surge recortado no horizonte. Espécie de cenário fantástico de um qualquer espectáculo de teatro, o edifício alberga algumas das mais terríveis memórias da História de Portugal.

Quando D. Manuel desfrutava as vistas magníficas do Termo de Lisboa, em demorados passeios que se alongavam pelos mais pitorescos recantos dos actuais Concelhos de Cascais e de Oeiras, era comum lembrar-se de determinadas intervenções que, complementando a astúcia política do seu reinado, prolongaram a sua memória e imortalizaram o seu nome.

De acordo com o Memorial Histórico de Oeiras, terá sido este o caso do Forte de São Julião da Barra que, da sua estratégica situação geográfica, controla o tráfego marítimo na barra do Rio Tejo.

O principal motivo que levou D. Manuel a aconselhar o seu filho a iniciar a construção desta fortificação, mais do que o poderio militar que dele poderia retirar, foi o de instituir uma barreira dissuasória em situações de ataque de piratas e corsários. De facto, durante todo o reinado do monarca, foram-se tornando usuais as investidas deste tipo de atacantes à Cidade de Lisboa. Sem qualquer pejo pelas envelhecidas sentinelas da capital, totalmente obsoletas devido ao desenvolvimento técnico dos barcos e das novas armas entretanto desenvolvidas, os meliantes avançavam intrepidamente pelo Tejo, até atingirem os mais cruciais pontos nevrálgicos da actividade mercantil que utilizava o rio como espaço privilegiado de actuação.

Ao longo dos anos, e com excepção de 1831, quando uma armada francesa utilizou a prisão de um cidadão daquele País como pretexto para intervir militarmente e desprestigiar o popular Governo do Rei absolutista D. Miguel, foram muito raras as utilizações militares do Forte de São Julião da Barra.

O seu aspecto imponente, e uma monumentalidade que ainda hoje impõe respeito junto de todos quantos o observam no horizonte, criam uma aura de inexpugnabilidade que dissuade possíveis ataques ao forte.

Mais do que pelo seu cariz militar, São Julião da Barra é conhecido e reconhecido pelo facto de ter sido, ao longo de muitos dos mais críticos períodos da História de Portugal, uma prisão de Estado, onde se encerravam em masmorras terríveis alguns dos mais acérrimos opositores dos regimes políticos vigentes.

De acordo com Carlos Pereira Calixto, autor de uma conhecida obra sobre as fortificações marítimas do Concelho de Oeiras, é precisamente a notoriedade dos prisioneiros encerrados em São Julião da Barra que confere o estatuto de tenebroso a este forte: “ [...] tanto no tempo dos Filipes, como na Restauração, com Pombal no governo, ou nos princípios do Estado Novo, nas masmorras desta fortificação existiram detidos militares políticos, eclesiásticos e civis, como em 1640 D. Fernando Mascarenhas, Conde da Torre, detido pelos espanhóis, ou o Arcebispo de Braga, D. Sebastião de Matos Noronha, envolvido na conspiração contra D. João IV, aí falecido, e sepultado a 26 de Outubro de 1644 na Capela do Santíssimo Sacramento da Igreja da fortaleza”.

A fama de São Julião – a Torre – como era conhecido o forte nos meios mais contestatários da Lisboa do Século XIX, ficou também a dever-se ao carácter sangrento de alguns dos seus mais conhecidos directores. Na sua obra “Portugal Contemporâneo”, na qual pretende descrever com alguma profundidade alguns aspectos relevantes da vida política dessa época, Oliveira Martins menciona amiúde a Torre de São Julião da Barra. Em termos sarcásticos e teatrais, refere que mais do que em qualquer prisão portuguesa, era ali que se desenrolavam os episódios mais fulgurantes da “carnificina” absolutista de então: “[...] o limoeiro era para os presos políticos uma estação provisória. O seu armazém estava na barra do Tejo, em São Julião, confiado à guarda de um cérebro fiel, honrado, e bruto, entusiasticamente cruel: o Teles Jordão”.

Foi de São Julião da Barra que, na manhã de 18 de Outubro de 1817, saiu o General Gomes Freire de Andrade para a forca que o esperava no terreiro circundante. E foi também nesse espaço, aproveitando o cenário terrífico das paredes de pedra, que muitos lisboetas assistiam com pasmo aos pedagogicamente preparados espectáculos executórios com que os governos controlavam a sua insatisfação.

Temido para uns; de má memória para outros; o certo é que o Forte de São Julião da Barra é uma das mais importantes e magníficas peças do património histórico do Concelho de Oeiras.

A Vivenda Miramonte: Um Repositório de Memórias do Monte Estoril





Apesar do seu aspecto rústico e quase inconsistente, a Vivenda Miramonte, situada na Rua do Lido, no Monte Estoril, é hoje um dos principais bastiões da memória urbana daquela localidade. Rodeada dos seus torreões e da cocheira que ainda hoje guarda os vestígios empoeirados dos últimos cavalos que ali pernoitaram, a Vivenda Miramonte foi a casa de José Dias Valente, fundador e Director do Colégio João de Deus, e personagem incontornável na História do Monte Estoril.

Construída já no início do Século XX, mas aproveitando os resquícios de um movimento romântico que o Monte Estoril nunca rejeitou, a Vivenda Miramonte é hoje um dos paradigmáticos exemplos da memória urbana do Concelho de Cascais.

Rodeada de um pequeno castelo, recriando o carácter altaneiro dos torreões que decoravam as vivendas mais eruditas, a Vivenda Miramonte complementa um quadro geral de que fazem parte da Capela, a garagem e o edifício das cocheiras. Do cimo dos seus mirantes, e fazendo jus ao nome da própria casa, o Monte Estoril surge em todo o seu esplendor, tornando invisíveis os muitos problemas que agravam paulatinamente a qualidade de vida naquele lugar.

Utilizando profusamente os valores arquitectónicos entendidos como tipicamente portugueses, dos quais se destacam o telhado de beiral duplo e o painel azulejar com a identificação do imóvel, a Vivenda Miramonte reúne as características próprias da habitação erudita de Cascais e a sublime singeleza das aldeias rurais do termo de Lisboa, produzindo um efeito cenográfico exemplar, que transforma este imóvel numa espécie de duplicação adaptada daquilo que eram os valores tradicionais da portugalidade.

A importância da Vivenda Miramonte, no entanto, não se fica por aqui. Para além dos aspectos relacionados com as suas características físicas, foi ali que habitou durante várias décadas o antigo fundador e Director do Colégio João de Deus.

José Dias Valente, detentor de uma inteligência invejável e de uma capacidade de concretização sem par, foi sempre considerado pelos que o conheciam como uma das principais referências do Monte Estoril.

Pelo Colégio João de Deus, durante vários anos o único estabelecimento de ensino liceal existente na Linha de Cascais, passaram muitas gerações de portugueses que contactaram e conheceram de perto o carácter do seu Director. Conhecido pela rectidão e pelo aprumo que dedicava aos seus afazeres, Dias Valente demonstrou sempre ao longo da sua vida que os valores que o norteavam se sobrepunham a quaisquer outras necessidades.

Como contava amiúde o Dr. Mário Quina, amigo próximo de Dias Valente e médico do Colégio João de Deus, em certa altura, logo no início da sua carreira académica, quando era ainda um mero principiante no curso de letras da Universidade Clássica de Lisboa, foi-lhe marcado um teste escrito logo para a manhã. No decorrer da prova, e perante a estupefacção dos seus colegas, o professor reparou que ele não estava a escrever, questionando-o sobre o que se passava. A resposta, imediata e fulgurante, não se fez esperar: “ainda não estou preparado”. O mestre, como é evidente, não gostou do que ouviu e a crítica foi imediata. Enchendo-se de brios, Dias Valente responde-lhe simplesmente: “Para aprender a sua matéria chegam-me 24 horas”. “Então” – disse-lhe o professor – “venha amanhã a exame”. Como era seu hábito, passou a noite a estudar e, no dia seguinte fez uma excelente prova, cujo mérito foi publicamente reconhecido.

Ao acabar o curso, e por discordar do sistema vigente, pretendeu defender uma tese sob o tema “A Escola Normal Superior Deve Ser Encerrada Por Imoral”. Como é fácil de perceber, a teses nem sequer foi aceite, facto que se traduziu numa espera de mais dois anos pela licenciatura, até que, de facto, a Escola Normal Superior fosse encerrada.

Todos estes factos, aliados à necessidade premente que o Monte Estoril possui de conseguir recuperar as características próprias da sua antiga qualidade, impõem a recuperação das memórias associadas às casas, às ruas e aos recantos da povoação.

Se assim não se fizer, corre-se o risco de desaparecerem as estórias que deram forma à História dos Estoris.

A Capela de Laveiras: Uma História de Vontade




Insignificante do ponto de vista da monumentalidade que caracteriza grande parte dos edifícios de culto religioso da região de Lisboa, a Capela de Nossa Senhora das Dores, situada na povoação oeirense de Laveiras, é hoje um importante marco patrimonial daquele concelho. As vicissitudes muito próprias da sua História, demonstrando que, muitas vezes, a vontade colectiva é mais importante do que os percalços políticos pontuais, transformam-na em mais um repositório de memória que contribui para a consolidação da cidadania daquele que habitam nas suas redondezas.

Situada numa das mais interessantes povoações de cariz saloio do Concelho de Oeiras, a Capela de Nossa Senhora das Dores é um marco inestimável do poder de concretização que deriva da vontade popular.

Sem que se conheça com exactidão a data da construção original, que com toda a certeza deverá ser anterior ao Século XVII, este edifício situa-se na povoação de Laveiras, tendo sofrido ao longo dos anos variadas campanhas de obras que, sem lhe retirarem a simplicidade original, conseguiram mante-la num excelente estado de conservação.

Contrariamente àquilo que aconteceu com a generalidade dos edifícios religiosos portugueses, que atravessaram de forma complicada os tumultos provocados pelas diversas crises políticas que o País sofreu, a Capela de Laveiras possui uma história sui generis, que lhe confere um estatuto patrimonial diferente.

De acordo com J. de Vilhena Barbosa, que editou no final do Século XIX algumas notas sobre um possível roteiro de Lisboa, no qual incluía Oeiras e o seu Concelho, a Capela de Laveiras é “muito antiga nas suas origens”. Sem precisar datas ou nomes, o autor refere o Século XVII como a marca temporal mais exacta para a sua edificação, sublinhando ainda que a ajuda régia foi fundamental para, em conjunto com o empenho da população, se criar ali um núcleo cultual que servisse toda a envolvência.
Segundo Rodrigues Soares, autor dos textos que integram o livro “Retratos de Oeiras”, a edificação da Capela antecede a criação da própria Irmandade de Nossa Senhora das Dores, que foi formalizada somente em 1812.

Dessa data em diante, e uma vez mais contrariando a História de quase todos os templos existentes naquela época, a Capela de Laveiras, conhece um período de enorme prosperidade, uma vez que a recém criada Irmandade, para além dos assuntos relacionados com o culto e com a manutenção do edifício, desenvolve significativo trabalho educativo na região, criando em seu torno uma escola, e diversas actividades sociais.

É neste clima de laboriosa entrega que a Capela conhece os períodos difíceis do liberalismo e da perspectiva anti clerical do Estado, factores que, no entanto, acabaram por não afectar a fiel comunidade católica de Laveiras.

Mesmo com o incêndio que praticamente a destruiu no ano de 1870, a Capela de Nossa Senhora das Dores de Laveiras foi totalmente reconstruída, tendo inclusivamente sido ampliada na mesma época, e reabriu ao público em 1889, tal como consta de uma inscrição apensa numa das suas paredes exteriores.

Nessa recuperação desempenhou uma vez mais papel de relevo o Estado que, através do então Ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, auxiliou a Irmandade nas obras em curso.

Apesar das suas diminutas dimensões, e de ter perdido a utilização cultual em prol da capela do Convento da Cartuxa, em Caxias, a Capela de Laveiras manteve-se sempre como símbolo fundamental da vivência religiosa oeirense.

No início de um novo Século e de um novo Milénio, quando quase toda memória histórica e social das antigas aldeias dos arredores de Lisboa se está a perder como consequência do desenvolvimento de uma terceirização que transforma os arredores da Capital em meros dormitórios sem marca e sem passado, a Capela de Laveiras, assume-se como marco indiscutível de uma forma de estar na qual o Concelho de Oeiras desempenhou um papel fundamental.

A preservação deste monumento, bem como o necessário reenquadramento urbanístico que ele exige, garante aos habitantes locais a possibilidade de rentabilizarem a sua memória, promovendo uma socialização mais natural e efectiva, que contribua para a qualidade de vida de todos quantos ali têm a honra de viver.

O Palácio do Marquês de Pombal (Oeiras): As Memórias do Espaço





Mais do que o seu estilo, características arquitectónicas ou disposições urbanísticas, os edifícios que compõem o património histórico oeirense assumem-se como repositórios de memória, deixando transparecer os resquícios de todas as vidas que por eles passaram.

Situado no cerne da actual Vila de Oeiras, e funcionando como o grande catalisador do desenvolvimento moderno da localidade, o Palácio do Marquês de Pombal é um dos mais significativos monumentos arquitectónicos da Área Metropolitana de Lisboa.

A sua memória mesclada com a aura fulgurante do primeiro proprietário, Sebastião José de Carvalho e Melo, polémico Primeiro-Ministro do Rei Dom José, dilui-se na biografia mítica do velho governante.

Apesar da elegância do projecto da autoria do Húngaro Carlos Mardel, que consagrou através deste edifício os mais modernos princípios arquitectónicos da Europa das Luzes, o Palácio do Marquês de Pombal é definitivamente marcado pela sua fantástica capacidade de se integrar no espaço envolvente, abarcando os valores urbanísticos da velha Oeiras, e projectando-os através da promoção da paisagem natural envolvente.
A responsabilidade da ideia, apesar de concepção de Mardel, fica a dever-se sobretudo à Condessa Leonor Daun, segunda mulher de Pombal, e principal impulsionadora da construção do grande conjunto edificado.

São as memórias desta mulher, um pouco encobertas pela extraordinária competência política do seu marido, que ainda hoje subsistem no palácio. De facto, quer no edifício principal, quer mesmo nos conjuntos adjacentes, hoje profusamente utilizados pela Câmara Municipal de Oeiras, é possível encontrar os vestígios sublimes do ambiente vienense do Século XVIII que a Condessa procurou recriar neste espaço.

A conjugação da sensibilidade da sua ideóloga, com o saber técnico e artístico do arquitecto, e sobretudo com a grande capacidade concretizadora do seu proprietário, transformam o Palácio do Marquês de Pombal num dos mais ilustrativos exemplos de urbanismo iluminado em Portugal.

A Vila de Oeiras, habituada a viver à sombra do ilustre governante, foi também ela directamente afectada pela sua construção. De facto, não só nos espaços envolventes ao palácio, como principalmente no núcleo histórico da localidade, são inúmeros os exemplos dos benefícios herdados de Pombal que, principalmente após o grande terramoto de 1755, passou a habitar definitivamente na sua casa de Oeiras.

O fulgor desse período, bem visível na atribuição do Foral Novíssimo de 1760 e, depois, na realização da grande exposição agrícola de 1775, consagra-se com a sua utilização pelo próprio monarca. Por sofrer de grandes males que o obrigavam a frequentar diariamente as milagrosas águas termais do Estoril, e sobretudo por não existirem em Cascais habitações com qualidade suficiente para receberem a Corte, foi no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, que esteve o Rei Dom José durante um ano, transformando a recém-criada Vila na capital política do País.

A memória do espaço oeirense, sujeita às vicissitudes que acompanharam o percurso final da vida do seu ilustre Senhor, absorve também ela o desânimo, o abandono e a degradação que acompanhou Pombal no seu exílio forçado.

Esquecida por quase todos, e uma vez mais sujeita aos laivos da lembrança do antigo braço direito de Dom José, Oeiras vai perdendo o seu estatuto, e deixando degradar a herança histórica que este lhe havia legado. Até há uns anos, quando a Câmara Municipal decidiu retomar a promoção da ilustre povoação, Oeiras permitiu que grande parte dos seus valores desaparecessem nas mãos ignóbeis de saqueadores desconhecidos. O Palácio do Marquês de Pombal, altaneiro na sua elegância, assistiu impavidamente à destruição progressiva dos seus pertences.

Só recentemente, fazendo jus àquilo que Oeiras conseguiu ser no tempo de Pombal, a edilidade local reiniciou o processo de requalificação do local, centrando no espólio arquitectónico do Século XVIII a marca de um passado que nem mesmo a passagem dos anos consegue apagar.

A memória do Palácio do Marquês de Pombal, atravessando transversalmente as malhas inexoráveis do tempo, impôs a Oeiras o seu caminho. Independentemente de tudo o que de bom ou de mal possa suceder àquela Vila, este conjunto edificado assumir-se-á sempre como o sustento de uma memória que Oeiras nunca irá perder.

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